Quando uma grafite barata é melhor que uma Koh-I-Noor?
fevereiro 28, 2010
Não queremos passar por hipócritas. Confessamos que se pudéssemos, nós gostaríamos de ter carvões e papéis caros e desenhar como o David Kassan. Mas é fato que temos de começar em algum momento e de alguma forma. Para que o momento seja agora, acreditamos que comprar materiais caros, logo de cara, leva o aspirante a desenhista a cair no Mal do Aviso de Regime. Este mal foi observado, estudado e analisado metodicamente por Arthur Santana (em suas prolíferas horas vagas), que diz o seguinte:
“Sabe por que não quero que vocês saiam por aí dizendo que tão fazendo regime? Porque a aprovação que os outros vão dar para a atitude, fará com que o sistema de recompensa de vocês seja ativado. Desta forma, vocês vão se sentir bens consigo mesmos e no final vãoacabar esquecendo o regime porque, no fundo no fundo, a maioria das pessoas que fazem regime buscam algum tipo de (auto) aprovação e se a tiverem antes de emagrecer, pior pra elas mesmas”.
Um problema parecido ao que sofrem os amigos dos alimentos, sofrem os desenhistas iniciantes. Ao comprar lápis de madeira alemã, tinta belga e borracha de vinil, o sistema de recompensa do aprendiz pode ser tão prazeirosamente ativada que ele perde a necessidade de desenhar de fato.
Portanto, se não quisermos estar sempre avisando (para os outros e para nós mesmos) que estamos “começando” a desenhar, sugerimos esquecer isto por enquanto, pegar uma grafite barata e copiar Rafael na primeira folha limpa que aparecer na frente.
PS: Nós passamos por este problema quando fizemos mamãe comprar tinta, canson, curvas francesas, bicos de pena, etc para depois deixar tudo de lado.
