Deixem que pensem o contrário, mas a pintura é uma necessidade de todo ser humano que tenha coração.

Abaixo, uma pequena aquarela que fizemos depois da Nossa Senhora do Juízo Final de Michelangelo.

Este assunto nos lembra o diálogo entre Edgar Degas e Jehan Vibert, relatado por Ambroise Vollard:

– Sr. Degas!

Era Vibert, o conhecido pintor dos Cardeais.

– O senhor precisa ir ver nossa exposição de aquarelas!

Neste momento, Vibert tocou no velho macfalane de Degas.

– Talvez ache nossos quadros e nossos tapetes um pouco caros, mas afinal a pintura não é mesmo um objeto de luxo?

– A sua, meu senhor – retrucou Degas. – A nossa é feita de objetos de primeira necessidade.

Mas que o leitor não nos entenda mal. Não queremos mistificar a arte e colocá-la em um patamar onírico e milagroso. Pois acreditamos que a pintura, como um beijo, é apenas um objeto de manifestação do amor. Sem amor, não há arte. Não acreditamos na arte pela arte. Porém, pintar é preciso, porque amar é preciso.

E é por isto que, se ganhamos alguma credibilidade com aquele que nos lê, pedimos que pegasse papel, qualquer coisa que sirva para colorir e que pinte. Que pinte sem se perguntar por que, como e para quê. Por enquanto isto não tem serventia. No começo só importa o sentimento, a vontade, a boa intenção. O resto vem naturalmente com a disciplina. Não há como se arrepender.

Como despedida, deixamos mais uma citação:

Todo mundo discute a minha arte e finge compreender, como se fosse necessário entender, quando é simplesmente necessário amar.

Claude Monet